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2026/06/09 - Lançamento do documentário ANTA no Espaço Petrobras de Cinema Fotos: Gustavo Scatena / Imagem Paulista

Uma história de vida dedicada à conservação ganha as telas de cinema e o coração do público

 

A natureza captada com alma, em toda sua exuberância, gera cenas impactantes (mesmo no feed do celular). Mas quando exibida em tela grande, numa sala escura, com som envolvente, ela não só impacta, ela comove. Desperta o tal encanto que só o cinema proporciona. Não haveria, portanto, lugar mais propício para exibir “ANTA – O Filme”, obra que traça um retrato sensível sobre a luta pela conservação da espécie e sua relação com o futuro da biodiversidade brasileira.

A experiência imersiva do cinema foi um dos estopins para a criação do projeto, conta o diretor do longa, João Marcos Rosa. Em agosto de 2024, ele participou de um curso de comunicação ao lado de Patrícia Medici, referência na conservação da anta, com quem trabalha há anos. “O filme surgiu enquanto pensávamos nas mudanças da comunicação, na falta de profundidade das redes e na dificuldade de atrair a atenção, cada vez mais difusa. O cinema é, afinal, onde as pessoas podem estar imersas em uma história, sem distrações.”

Levar à telona a trajetória de conservação da anta casaria perfeitamente com o desejo de Medici, que buscava uma criação especial para celebrar os 30 anos do Incab, Iniciativa Nacional para Conservação da Anta Brasileira, fundada por ela. Depois dessa conversa, que aconteceu há um ano e meio atrás, os dois partiram para as pesquisas, dando início à produção do longa que fez sua estreia nacional em 3 de junho, no Rio de Janeiro, e segue em exibição pelo Brasil.

Cena de ANTA – O Filme, de João Marcos Rosa.

A mensagem precisa ir longe

 

Para Patrícia Medici, a importância do filme é gigantesca – “nos dá a oportunidade de alcançar muitas pessoas, pessoas diferentes das quais costumamos dialogar. O nosso desejo é prolongar a vida do filme nos cinemas, depois nos festivais, para que mais gente conheça essa história. Durante as sessões, coletamos a opinião do público sobre futuros locais de exibição, sejam universidades, escolas, eventos etc. Onde pudermos levar o filme, vamos levar.”

Segundo ela, a comunicação é uma parte extremamente importante para a causa da anta, já que para conservar é necessário conhecer a história desse bicho. “Precisamos contar onde ele vive, quais são as ameaças, qual a sua situação de conservação nos vários biomas. Falar sobre tudo isso, no filme, é a janela de oportunidade que a gente tem. Em um primeiro momento para desmistificar esse animal como desprovido de inteligência – uma associação pejorativa que acontece só no Brasil.”

Em um segundo momento, com o objetivo maior “de fazer com que as pessoas conheçam a anta, possam mudar sua percepção sobre ela e, quem sabe, se envolver com a sua conservação. O filme tem feito isso de uma forma muito sensível e impactante – não só na nossa percepção, mas nas palavras do próprio público.”

Cena de ANTA – O Filme, de João Marcos Rosa.

História humana 

 

Diante das possibilidades que o cinema apresenta, João Marcos Rosa diz que a escolha de retratar a relação humana por trás da conservação da anta sempre esteve em primeiro plano. “A anta poderia render um documentário de história natural. Se tivesse seguido essa proposta, teríamos mais um filme com cenas belas, cenas tristes, paisagens, lugares por onde esse bicho passa. Mas sabendo da história que está por trás dos 30 anos de dedicação da Patrícia e da sua equipe, escolhemos nos debruçar sobre os contextos humanos desse processo.”

“A Patrícia Medici, protagonista do filme, conduz a narrativa com seu olhar científico, de política pública. E as pessoas que orbitam esse trabalho de conservação, como seu assistente de campo, o Zé Maria Aragão, trazem outro olhar, mais empírico. É um filme que trata das relações das pessoas que estão em busca de um objetivo único, que é a conservação dessa espécie, dos biomas e, por consequência, de todo o planeta.”

A humanidade vem também do próprio ato de se fazer cinema – uma arte que é coletiva. “Anta foi feito a muitas mãos, mentes, corações, suor. Precisou da dedicação de muita gente. Conseguimos reunir uma equipe talentosa, dedicada, com vontade de contar essa história. Da produção, à pesquisa, ao atendimento, financeiro, pós-produção, colorização, som. Reunir e reger essa equipe foi muito prazeroso, foi uma experiência que reafirma a força do coletivo, algo muito simbólico na NITRO.”

Cena de ANTA – O Filme, de João Marcos Rosa.

Belezas e desafios

 

“ANTA – O Filme” percorre os cinco biomas brasileiros para mostrar os desafios enfrentados pela espécie, em uma jornada por um Brasil continental, de contrastes entre uma natureza deslumbrante e regiões devastadas. Apesar da dificuldade técnica e logística de se filmar em áreas remotas, Rosa conta que poder olhar para esses biomas de uma maneira profunda e encontrar associações com a espécie é uma experiência incrível.

“Conseguir mostrar às pessoas essa realidade com seus contrastes e o nível de consciência da Patricia Medici, que se importa com o todo, é o grande mérito do filme. Ela consegue enxergar muito mais que o assunto que ela estuda. Contar essa história e fazer com que ela chegue a muitas pessoas, e, quem sabe, fazer com que elas se conectem à causa da conservação da anta é uma sensação indescritível.”

 

 

 

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