Ao levar a Folhinha de Mariana à tela grande, o filme “Tempo Vário” fez com que uma história conhecida se tornasse ainda mais especial. Revelando o que há de mais humano nesta tradição centenária, tornou-se a principal fonte histórica sobre o almanaque. Para falar do impacto do documentário, convidamos um dos seus participantes, o consultor educacional Wander Torres da Costa, que mantém uma longa e afetuosa relação com a Folhinha.
Publicada desde 1870, a Folhinha de Mariana segue exercendo um impacto cultural entre os moradores de Minas Gerais e do Brasil – história retratada no documentário Tempo Vário. Como você explica a permanência e importância da Folhinha?
Penso que o que faz a Folhinha de Mariana permanecer viva nas casas e comércios é o fato de que ela não é apenas um compilado de informações. Tê-la em casa evidencia algo que, como seres humanos buscamos alimentar: memória, afeto, história, pertencimento. Para mim a Folhinha é um “portal” que conecta com tudo isso. Disso decorre sua perene presença entre nós.

Pensando nos moradores de Mariana e nas pessoas que conhecem bem a Folhinha, como é o seu caso: qual foi o impacto que o filme “Tempo Vário” gerou nessas pessoas e na cidade?
Posso dizer que em mim, o filme “Tempo Vário”, produziu vários impactos. Um deles é o fato de revisitar momentos da minha história pessoal em que a Folhinha estava ali, presente. Um outro é o sentimento de “justiça”, pois a Folhinha merece uma produção como essa, para ser vista e conhecida ainda mais, dada a sua importância. Por fim, ver a Folhinha na tela, de forma tão poética e sensível, também me impactou esteticamente. Realmente, a gente sai tocado após assistir ao filme.
Como foi a experiência de ter participado do filme “Tempo Vário” e qual a importância de apoiar produções como essa, que exaltam o valor da memória e sua preservação?
Ganhei um presente ao participar desse filme. Foi uma experiência de fazer algo como agradecimento a um patrimônio da cidade que acolheu a mim e a minha família. O apoio a produções como esta é fundamental no contexto de uma política de preservação patrimonial que se amplia e percebe o patrimônio a partir das próprias pessoas que o fazem e o preservam. Apoiar produções como a do “Tempo Vário” é, certamente, permitir que as sementes da memória, do cuidado e do pertencimento continuem a ser lançadas no fecundo chão da nossa história.
