Por meio da publicação expositiva, o Sesc Palladium convida o público a adentrar e se conectar aos seus espaços
Ocupando uma famosa esquina no Centro de Belo Horizonte, no cruzamento da avenida Augusto de Lima com a rua Rio de Janeiro, o Sesc Palladium tem portas largas e abertas aos passantes – que, não raro, se inibem de entrar. Como espaço gratuito e democrático, há o desafio de se quebrar barreiras simbólicas (advindas de processos históricos de desigualdade), realidade desse e de tantos outros espaços culturais no Brasil.
Tal realidade não ficou de fora do processo criativo de sua próxima mostra, a publicação expositiva “ENTRE: histórias e caminhos”, que estreia no dia 30 de maio de 2026. Como o próprio nome já diz, a mostra reforça o convite para que as pessoas adentrem e usufruam do espaço que celebra 15 anos – mas não só. “A expectativa é que o público de BH se reconheça aqui. Ao atravessar a exposição, possa encontrar fragmentos das suas próprias vivências com o Sesc Palladium”, ressalta a analista de programas sociais do Sesc Palladium, Sara Carvalho.
Ela espera que a exposição estimule visitas, mas também um reencontro com esse que é um dos espaços culturais mais tradicionais da capital mineira. “Tanto a exposição quanto a programação que vem pela frente carregam esse desejo: ativar memórias, criar novas conexões e reafirmar o Sesc Palladium como esse espaço vivo, que continua se transformando junto com a cidade e com as pessoas que o habitam.”

Criada durante a ND, laboratório de comunicação da NITRO, a exposição ENTRE foi realizada por muitas mãos – foram nove artistas convidados (Alonso Pafyeze, Ariene Reis, Artur Souza, Catarina Galuppo, Dereck Carvalho, Lucas de Godoy, Marcus Desimoni, Matheus Mathmexe e Renata Assis) e quatro estudantes de audiovisual (Jessie Marcelly, Julia Leão, Mateo Limada e Pedro Nobre). “Ao lado do diretor de arte Alonso Payeze, convidamos esses artistas que trazem um olhar sobre uma BH real, expandida. Olhar que foi fundamental para todo o processo e que levantou questões sobre esse paradoxo: por mais que o Sesc Palladium seja um espaço democrático, muita gente se acanha de entrar”, conta Leo Drumond, que atuou na mediação da ND ao lado de Bruno Magalhães.
Diferente das outras edições da ND, que normalmente recebe pessoas inscritas, esta teve uma proposta híbrida – os artistas convidados se juntaram a alunos do audiovisual do Sesc, a comunicadores e designers. “Foi uma construção feita de múltiplos olhares, entre artistas e profissionais mais experientes e a nova geração.”
Drumond e Magalhães propuseram uma ideia central, mais abrangente, e mostraram algumas histórias, mais como inspiração. “Algumas vingaram, outras não. E tudo fluiu muito bem, todo mundo muito engajado, criativo, dinâmico, com muita vontade de produzir. As pessoas se envolveram, foram para campo, quiseram escrever. O que resultou em uma mostra muito bonita, tanto de forma individual, em cada obra, como em seu conjunto.”
Para Sara Martinho, a oficina ND foi um espaço de encontro e escuta, onde diferentes memórias e olhares foram se cruzando de forma muito viva. “Ao revisitar o Sesc Palladium, fomos também revisitados pelas nossas próprias experiências com ele, quase como um gesto coletivo – um jeito de transformar afetos e trajetórias em algo que pudesse ser compartilhado.”

Antes de falar da “publicação expositiva” – formato da exposição ENTRE – é importante resgatar a história da ND, que se mistura a esse conceito. Bruno Magalhães lembra que a experimentação sempre fez parte da ND, assim como uma produção mais acelerada, típica dos festivais, resultando sempre em algo concreto em diálogo com a ideia de revista.
“A ND surgiu como um laboratório de produção que reunia pessoas diversas para realizar uma revista, isso na época em que o digital começou a ganhar força e o impresso a perder espaço. Queríamos experimentar novas formas de realização e terminar com algo nas mãos, que poderia ser uma publicação, mas também um lambe-lambe, um filme, sempre com cara de revista, independente do suporte.”
O conceito da publicação expositiva “ENTRE: histórias e caminhos” une esse formato da ND às ideias de um grupo com múltiplas habilidades. “No Sesc Palladium, as páginas da revista estão nas paredes e se desdobram em várias ocupações, suportes e linguagens de pessoas com experiências variadas, como poetas, ilustradores, gente do audiovisual, alunos. São várias caras, trabalhos distintos, mas unidos por um jeito de fazer coletivo. As obras são assinadas, mas o grande barato que é elas se tornam uma obra múltipla em todos os sentidos, pois permite vários tipos de interação.”
Bruno Magalhães destaca que a exposição ainda vai contar com uma programação paralela, com vivências, debates e outros eventos, a exemplo do Projeto Moradores, também realizado pela NITRO no Sesc Palladium. Ambos (a exposição ENTRE e o Moradores) fazem parte do Projeto Desvios – iniciativa que transforma corredores, foyers e áreas de circulação em espaços de convivência e arte, com o objetivo de exaltar narrativas urbanas e conectar o público ao cotidiano da cidade.
Realização: Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc em Minas
Idealização: NITRO Histórias Visuais
Artistas convidados: Alonso Pafyeze, Ariene Reis, Artur Souza, Catarina Galuppo, Dereck Carvalho, Lucas de Godoy, Marcus Desimoni, Matheus Mathmexe e Renata Assis
Artistas estudantes do Núcleo de Formação em Audiovisual do Sesc em Minas: Jessie Marcelly, Julia Leão, Mateo Limada e Pedro Nobre
Coordenação geral: Bruno Magalhães e Leo Drumond
Coordenação de produção: Sheila Katz
Direção de arte e design: Diogo Droschi
Edição de textos: Luisa Gontijo
Revisão: Érica Aniceto
Expografia e arquitetura: Vitor Moura
Construção cenográfica: Marcos Lustosa
Cenotécnico: Richard Carvalho
Montagem instalação audiovisual: Polvo Estúdio
Assessoria pedagógica e educativa: Amanda Moreira
Assessoria acessibilidade: Flávio Maia
Coordenação financeira: Luiza Pereira Lima
Atendimento: Fernanda Xavier
Montagem e edição de filmes: Lucas de Godoy e Flora Gomide
Impressão da exposição: Trama Comunicação
Comunicação e imprensa: Aline Ferreira e Luisa Gontijo