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Mensagem de Guignard para Priscila Freire. Foto: Carol Reis

“O Recordare é um convite a reviver, conhecer e se apaixonar por grandes nomes da arte brasileira que já não estão aqui”

 

A paixão por Alberto da Veiga Guignard (por sua obra, mas, acima de tudo, por sua vida) levou a fotógrafa Carol Reis e o escritor Gustavo Nolasco a criarem o Recordare, projeto que humaniza figuras célebres da arte. Neste bate-papo, Reis fala sobre a criação do projeto, em especial, sobre o papel da fotografia para reviver memórias.

 

O Recordare é um projeto de arte-educação e revivência de memórias que celebra grandes nomes da arte brasileira por meio de histórias/lembranças compartilhadas por familiares, alunos, amigos. Na sua visão, o que o Recordare traz de mais especial?

Em um mundo dominado pela inteligência artificial, vamos no caminho contrário. Outro dia li, ‘não existe futuro sem um passado’. Um dos nossos personagens, o filho da Erna Antunes nos disse que ‘não existe vida sem memória e o que seria um homem sem memória’. Concordo com ele.

Minha inspiração na escolha do Guignard como nossa primeira personalidade vem do amor da Priscila Freire pelo artista. Depois que a conheci fiquei obcecada por Guignard. Priscila é uma mulher extraordinária que foi superintendente nacional de museus em Brasília e montou mais de 10 museus pelo Brasil.

Esse meu encantamento não veio apenas dos livros e sim dos relatos apaixonados dela, pela arte e por essa história vivida. Descobri que é possível amar alguém que pouco tempo atrás era apenas um grande artista para mim. Mergulhei na vida de Alberto da Veiga Guignard e ele hoje faz parte da minha vida. Posso dizer que ele passou a me influenciar de maneira profunda, a influenciar a minha fotografia.

O Recordare, então, faz um convite às pessoas: revivam outras vidas, conheçam e se apaixonem por pessoas que deixaram um lindo legado para tantas gerações.

 

Ouro Preto (MG). Foto: Carol Reis.

Como fotógrafa, de que maneira você enxerga o papel que a imagem exerce no Recordare?

O Recordare reconstrói memórias de grandes nomes da arte brasileira que não estão mais aqui, mas que seguem vivos em muitos de nós. Queremos que esta chama se mantenha viva em outros tantos, por meio de relatos, histórias contadas.

Transformaremos os personagens (amigos, alunos, familiares) em protagonistas, afinal são eles que guardam esse patrimônio vivo, tão caro para nós do Recordare. Eles serão fotografados e seus retratos vão compor a nossa galeria; os relatos emocionados serão transformados em filmes de curta-metragem.

 

Detalhes de Ouro Preto (MG). Foto: Carol Reis.

 

Em agosto celebramos o Dia da Fotografia e do Patrimônio. Pensando na fotografia de maneira mais ampla, qual a sua importância na preservação e valorização da memória?

A fotografia ajuda a preservar a memória ao contar histórias. Ela é uma viagem no tempo. Combate o esquecimento. Um exemplo é a fotografia no meu processo no Recordare. Eu li a biografia do Guignard feita pelo escritor Marcelo Bortoloti. Quando ele descreve a chegada do corpo de Guignard no pátio da igreja São Francisco para ser enterrado em Ouro Preto, como era o desejo dele.

… “Havia poucos moradores adultos, mas um número expressivo de crianças. Eram meninos para quem o pintor distribuía balas ou contava histórias ao lado do cavalete. Estavam ali para se despedir de um amigo. Ali se formou uma fila de moleques pequenos, grandes, descalços, cabisbaixos ou com bola debaixo dos braços. O anjo Guignard, pintor puro e autêntico, teve naquele momento a despedida que merecia”.

Nada mais lindo. Enquanto reproduzo esse trecho do livro, volto a me emocionar. Mas nada se compara ao sentimento de quando vi a fotografia deste momento. A fotografia é uma arma poderosa na preservação da  M E M Ó R I A.

 

 

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