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“Tempo Vário: o documentário sobre a Folhinha de Mariana é a principal fonte histórica sobre o almanaque. ”

 

Da inquietação por saber mais sobre a história da Folhinha de Mariana, um patrimônio tão importante e tão pouco documentado, surgiu o filme Tempo Vário. Neste bate-papo com a historiadora Nathália Rezende, coordenadora pedagógica do Museu de Mariana e uma das idealizadoras do projeto, falamos mais sobre o filme que se tornou a principal fonte histórica da folhinha.

 

A Folhinha de Mariana atravessou o tempo, o estado de Minas Gerais e os costumes da nova geração: mesmo com toda a informação digital disponível, essa tradição se mantém viva. A que você atribui a longevidade da Folhinha?

São muitos os fatores para a continuidade do uso da Folhinha de Mariana. A sua apresentação simples possibilita leituras claras e objetivas. A própria forma de armazenar ou  expor a Folhinha também se dá de maneira prática, não é à toa que muitas residências e estabelecimentos continuam a pregá-las em suas portas. A facilidade de se ter todo o conteúdo em uma página, inclusive, não viabiliza apenas o armazenamento, mas também a sua veiculação.

Outro fator importante é que a circulação dessa folhinha está atrelada a uma das festas religiosas mais expressivas de Minas Gerais, o Jubileu do Bom Jesus de Matosinhos, que mobiliza milhares de devotos anualmente.

Por fim, algo importantíssimo que a própria questão já traz é sobre a tradição. A Folhinha de Mariana é prova incontestável da perpetuação de tradições.  Não se trata apenas de consultar as informações trazidas por ela, mas, de se recordar das leituras feitas no ambiente familiar, dos ensinamentos trazidos pelos pais e avós, e pela perpetuação do saber que não pertence apenas às famílias, mas às comunidades.

 

Você foi uma das idealizadoras do documentário Tempo Vário: conte como surgiu a ideia de transformar em filme a história da Folhinha e a sua relação com os moradores de Mariana e da região.

A Folhinha de Mariana é um dos almanaques mais relevantes de Minas Gerais, assim como também do nosso país. É justamente por isso a nossa inquietação, enquanto equipe do Museu de Mariana, ao nos depararmos com um patrimônio tão importante e com tão pouca informação.

Na época em que começávamos a levantar mais fontes, tivemos um encontro com um filho de Mariana, apaixonadíssimo pela cidade, que é o Gustavo Nolasco. E esse encontro só pode ser entendido como união de propósitos.

Em uma conversa informal, comentamos sobre nossa inquietação e a elaboração de uma pesquisa ainda muito incipiente sobre a Folhinha de Mariana. Essa conversa lançou luz sobre a importância de se criar um acervo sobre a Folhinha, que veio a se consolidar com um audiovisual.

Lembro que, na época em que esse documentário tomava corpo, tudo fluiu de forma fácil. A comunidade não apenas queria contar suas histórias, mas se orgulhava de ser parte dessa narrativa, e tudo isso se concretizou no momento da exibição do filme. Não faltaram abraços apertados e o brilho no rosto de quem sabe que fez e faz parte dessa história.

 

 

Como o público tem recebido o documentário – que é o primeiro a contar essa história – e qual a importância do audiovisual para fortalecer uma tradição cultural tão importante como a Folhinha de Mariana?

Eu acredito que o filme Tempo vário: a história da Folhinha de Mariana é, hoje, a principal fonte histórica sobre o almanaque. A ressonância de sua exibição ecoa de várias formas. A pesquisa realizada para dar corpo ao documentário foi objeto para a formação do Projeto de Lei nº 4.636/2025, que reconhece a Folhinha de Mariana como de “relevante interesse cultural, histórico e religioso de Minas Gerais”.

Nesse sentido, o documentário não apenas registra a memória, a prática e a tradição relacionada à Folhinha de Mariana, mas fortalece medidas de salvaguarda do nosso patrimônio.

A sensibilidade desse filme não se traduz apenas na capacidade de captar o sentir e a vivência da identidade mineira, mas no reconhecimento de que não existiria outra forma de constituí-lo senão colocando a comunidade como protagonista. E assim o foi.

O resultado aquece a alma: “olha seu avô, ele é parte dessa história”; o riso contagiante da plateia ao ouvir a admissão sincera de Eliana, que agradece por não ter nascido homem, pois, caso contrário, se chamaria Bernardino… O documentário emociona por tratar do humano de forma tão sensível.

 

O documentário Tempo Vário está disponível em nosso canal do YouTube até o dia 22 de fevereiro. Clique aqui para assistir.